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No início, eram apenas rotas...

  • há 6 dias
  • 1 min de leitura

Verdadeiramente sem saber porquê, comecei há cerca de seis anos a colaborar como voluntário no Centro Paroquial do Estoril, na distribuição do apoio da Mercearia Social, a beneficiários impossibilitados de até aí se deslocarem.


No início, eram apenas rotas, nomes desconhecidos, moradas a descobrir. Sacos pesados, volumes vários, o desafio de que ouvissem a campainha ou, até mesmo, que estivessem em casa.


Quase tarefa impessoal a cumprir, movido por um sentido de um qualquer dever. Mas os endereços, as casas, as ruas, foram ganhando rosto. E a descoberta de que quase tão importante quanto o conteúdo do que se entregava era a presença, um cumprimento, um sorriso, um abraço.


Pouco a pouco, são pessoas que passam a fazer parte da nossa vida. Sentimos e partilhamos as suas dificuldades, as suas alegrias. Nalguns dias ouvimos os seus desabafos e quantas vezes ficamos impotentes para lhes dar uma palavra de verdadeiro conforto.



Estes anos trouxeram também os momentos de perda:

- um que mudou de residência;

- outra que foi colocada numa instituição que melhor a apoia;

- outra que foi chamada para junto do Pai.


E aí entendi plenamente o muito que nesta missão de voluntariado nos é concedido ganhar. O bem que procuramos levar-lhes é mais do que retribuído pelo afeto genuíno que deles recebemos.

E quando alguma semana outras ocupações me impedem de estar, fica uma sensação desconfortável de que algo me falta.


E se há seis anos não sabia exatamente porque ia fazer voluntariado, hoje tenho plena certeza do que me faz continuar.



Pedro - Voluntário da Mercearia Social do Centro Paroquial do Estoril

 
 
 

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