Muito mais do que desenvolver uma plataforma
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O Cartão de Voluntário nasceu com um objetivo simples, mas ambicioso: criar mais oportunidades para que pessoas e organizações se encontrem em torno de causas que geram impacto positivo na sociedade. Ao facilitar a ligação entre voluntários, instituições e iniciativas, a plataforma procura tornar o voluntariado mais acessível, mais organizado e mais próximo de quem quer fazer a diferença. A sua evolução recente inclui também mecanismos de apoio ao voluntariado empresarial, permitindo que mais organizações envolvam as suas equipas em projetos de cidadania ativa.
Participar no desenvolvimento técnico do Cartão de Voluntário foi uma experiência particularmente marcante para a equipa da Direção de Tecnologias de Informação da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM). Continuámos a fazer aquilo que fazemos todos os dias — resolver problemas, desenvolver soluções tecnológicas e trabalhar em conjunto para alcançar um objetivo comum — mas desta vez com a oportunidade de contribuir para uma iniciativa com impacto direto na comunidade. E isso deu um significado diferente ao trabalho que realizámos.
Quando falamos de voluntariado, pensamos muitas vezes na dádiva de tempo. E essa é, sem dúvida, uma dimensão essencial. Mas há também uma forma de voluntariado que passa por colocar competências ao serviço dos outros. O que mais nos orgulha neste projeto é que ele não resulta apenas da partilha do conhecimento individual de cada uma das pessoas envolvidas, como acontece em muitos projetos de voluntariado de competências. Resulta daquilo que construímos enquanto equipa: um grupo de pessoas que trabalha em conjunto todos os dias, conhece os pontos fortes de cada elemento, combina diferentes especializações e desenvolve uma forma própria e estruturada de analisar problemas e construir soluções para os resolver.
Quando transportamos essa dinâmica para um projeto de voluntariado, deixamos de disponibilizar apenas competências individuais e passamos a disponibilizar algo mais raro: uma equipa completa, com capacidade para transformar uma necessidade numa solução sustentável e com impacto duradouro. Deixa de ser uma ajuda pontual e passa a ser uma resposta mais consistente, pensada para crescer, adaptar-se e continuar a servir as necessidades das organizações e das pessoas.
Mas este tipo de projeto não transforma apenas a realidade de quem o recebe. Também transforma quem nele participa. Participar num projeto desta natureza dá um sentido diferente ao trabalho que fazemos diariamente. Permite-nos perceber que as competências que utilizamos para resolver desafios tecnológicos podem também ser aplicadas para responder a necessidades sociais concretas. Essa consciência cria um sentimento de propósito adicional e reforça o envolvimento das pessoas, porque deixa de existir apenas a satisfação profissional de fazer bem o nosso trabalho e passa a existir também a satisfação de saber que esse trabalho gera valor para a comunidade.
Tem sido igualmente muito gratificante acompanhar a forma como este projeto tem sido recebido fora da organização. Ao longo do tempo, temos visto um interesse crescente de outras entidades por esta iniciativa e pelo modelo que lhe está subjacente. O reconhecimento que recebemos não resulta apenas da plataforma em si, mas também da forma como ela foi construída: através do contributo de uma equipa com competências complementares e habituada a trabalhar em conjunto que colocou as suas competências coletivas ao serviço de uma causa social. Ver este modelo ser valorizado por outras organizações é um motivo de orgulho para a equipa e reforça a convicção de que o voluntariado de competências pode ir além do contributo individual, mobilizando equipas inteiras para gerar impacto permanente.
Há ainda um aspeto que considero importante destacar. Projetos como este não acontecem apenas porque existem pessoas e equipas com vontade de ajudar. Acontecem porque existe uma organização que cria espaço para que isso seja possível. O programa de responsabilidade social da INCM tem tido precisamente esse papel, ao dar às pessoas a liberdade e o enquadramento necessários para colocarem as suas competências ao serviço de causas que consideram relevantes. Para nós, isso faz toda a diferença. Saber que existe abertura para participar, dedicar tempo e desenvolver iniciativas deste género permite transformar uma vontade individual de contribuir num impacto coletivo real e duradouro.
E quando olhamos para a evolução mais recente do Cartão do Voluntário — nomeadamente esta capacidade de gerir programas de voluntariado empresarial, de inscrever colaboradores, de acompanhar iniciativas e de registar o contributo de cada um — percebemos que isso vem exatamente reforçar esta lógica. Ajuda a dar estrutura, visibilidade e continuidade a algo que já fazemos, e a torná-lo mais acessível também a outras organizações.
Talvez o maior resultado deste projeto não esteja apenas na plataforma construída, mas na demonstração de que existem muitas formas de contribuir. Cada pessoa, cada equipa e cada organização têm algo para oferecer. No nosso caso, representa a capacidade de uma equipa colocar o seu conhecimento ao serviço dos outros, a oportunidade de contribuir para uma causa com impacto real e o privilégio de fazer parte de uma iniciativa que continua a crescer e a mobilizar cada vez mais pessoas e organizações. É um percurso de que nos orgulhamos e para o qual esperamos continuar a contribuir, ajudando a que esta visão de voluntariado continue a evoluir e a chegar cada vez mais longe.
Ricardo Vieira - Diretor de Tecnologias de Informação da INCM


Neste testemunho, partilha a experiência da equipa no desenvolvimento do Cartão de Voluntário da ENTRAJUDA, enquanto exemplo de voluntariado de competências realizado através do trabalho em equipa.




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